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11 DE FEVEREIRO

Poker agarra oportunidades no esporte - Jornal do Comércio

Poker agarra oportunidades no esporte - Jornal do Comércio

É difícil assistir um jogo de futebol no Brasil sem que a marca Poker esteja presente. No ano passado, 60% dos goleiros das Séries A e B entraram em campo com o logotipo da marca gaúcha, sediada em Montenegro, que virou sinônimo de luvas. Nascida em 1986 multiesportiva e com a industrialização terceirizada, a marca mantém o modelo até hoje, com produção espalhada por 14 plantas pelo mundo. Dividindo a direção da Poker com seu irmão, Frêdi, desde a juventude, Rogério Cauduro conta que o objetivo, porém, mudou: ganhar o mundo e aproveitar outras brechas deixadas pelas gigantes do setor, como a natação e o ciclismo.

Empresas & Negócios - A Poker virou sinônimo de material para goleiros. Como isso aconteceu?

Rogério Cauduro - Em 2006, chegamos à conclusão de que uma empresa sem marca não ia conseguir se sustentar no mercado. Entendemos que era a hora de fazer o salto da marca, sair do mercado amador para o profissional. O nicho mais adequado, até porque já tínhamos expertise, seria o goleiro, porque estava mal assistido. E porque cada vez mais a decisão de compra no mercado esportivo é individual, não mais coletiva. As pessoas não têm mais tempo, e começaram a migrar para os esportes individuais. Mas não queríamos perder o recall que já tínhamos do esporte amador, e havia duas formas: o árbitro ou o goleiro, que são os únicos que decidem suas compras individualmente. Começamos de uma forma bem corpo a corpo, fui conversar com goleiros. Encontramos um grande parceiro, que foi o Clemer (ex-Internacional), que topou apoiar a marca, mas tínhamos que fazer a luva que ele queria. Depois dele veio o segundo, o terceiro, e assim foi evoluindo o projeto.

Empresas & Negócios - Mas seguiram com as outras linhas.

Cauduro - Isso foi só o trampolim, nossa proposta é sermos multiesportivos. Estamos focados em goleiros, bike, performance, bolas e natação. Na natação, já estamos entre as três principais marcas do Brasil. Nos sustentamos como uma marca realmente diferenciada porque uma ou duas vezes por ano a gente faz um workshop técnico com uma dezena de goleiros e vamos discutir os produtos. Na bola, estamos criando identidade com esportes em especial, como futsal, futevôlei e beach soccer.

Empresas & Negócios - A empresa começou com fardamento esportivo. Poderiam dar esse salto também nesse meio?

Cauduro - Poderia ser um caminho. Chegamos a patrocinar mais de 40 clubes, mas essa conta nunca fecha. Temos três pilares: produto de qualidade, a qualidade de vida dos colaboradores e a solidez financeira, que para nós é um agente de crescimento. Mas como essa conta nunca fecha, eu teria que ter um faturamento muito maior, e aquilo ser só promocional. No futsal, que é o esporte mais praticado do Brasil, hoje temos boa participação, patrocinando até equipes e a própria LNG - Liga Nacional de Futsal.

Empresas & Negócios - Que outras brechas vocês veem hoje?

Cauduro - Natação, que é um mercado em que estamos no terceiro ano e já estamos entre as três maiores. Não percebemos muito ele, mas é um mercado extremamente forte, com outras questões como hidroginástica e praia. O futsal, que vemos como esporte em crescimento, apesar de não ser olímpico, e a bike, que tem 70 milhões de praticantes no Brasil. Na bike, não queremos entrar na alta performance, porque a maioria dos praticantes não faz isso por esporte, mas por lazer e por transporte, o que torna obrigatório capacete e outros itens, que é o que oferecemos ao mercado.

Empresas & Negócios - Pretendem trazer mais da produção para o Brasil?

Cauduro - Hoje está meio a meio. Se quero competir com as grandes, preciso fazer com a mesma tecnologia que as grandes fazem. Sempre tentamos manter uma produção no Brasil maior do que no exterior. Uma por não ter o risco cambial, e segundo por gerar produção e renda no Brasil, que nos parece mais adequado. Mas esbarramos na questão tecnológica. Nas luvas, desenvolvemos uma fábrica no Brasil, transferimos tecnologia e já estamos conseguindo um bom resultado.

Empresas & Negócios - E, ao mesmo tempo, vocês resolveram focar na exportação?

Cauduro - É a forma de fazer um hedge próprio: exportando eu travo meu próprio negócio com o dólar. E fazemos a marca ser conhecida em outros países. Em 2018, tivemos 14 dos goleiros da Série A, então quem olhou o campeonato, viu a Poker ali.  

Fonte: Jornal do Comércio (https://www.jornaldocomercio.com/_conteudo/cadernos/empresas_e_negocios/2019/02/668276-poker-agarra-oportunidades-no-esporte.html)

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